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Russos bebem de tudo

Geert Groot Koerkamp* correspondente em Moscou

18-10-2007

Todas as noites os canais de televisão da Rússia transmitem uma infinidade de propagandas de cerveja. Marcas diferentes, comerciais semelhantes. O resultado é o aumento do consumo de cerveja, segundo pesquisadores locais. 
 
A maior preocupação do psiquiatra Stanislav Mochnatsjov, de uma importante instituição de Moscou, é que os alcoólatras são cada vez mais jovens. Ele afirma que há 15 anos, um alcoólatra tinha idade média entre 45 e 50 anos. Atualmente, muitos dos pacientes têm 30 anos ou menos e sofrem todas as conseqüências da doença, como ataques epiléticos ou outras complicações.
 
"Aumentou o número de viciados em cerveja", afirma Mochnatsjov. Ele lamenta que até agora não exista nenhum programa consistente para evitar o alcoolismo entre os jovens. 
 

Stanislav Mochnatsjov. Foto: Geert Groot Koerkamp
Mochnatsjov pensa que as novas gerações precisam ser mais críticas em relação ao álcool. Para o psiquiatra, os jovens não deveriam achar normal beber cerveja na rua ou em playgrounds, onde crianças estão brincando.

O psiquiatra afirma ainda que os produtores de cerveja não deveriam fazer propagandas que mostrem que consumir a bebida é fantástico, muito menos dizer que é melhor do que fumar maconha, o que, na opinião dele, é um absurdo.
 
O perigoso vício não preocupa somente pela quantidade, mas também pela qualidade do álcool que é consumido.

Jevgeni Andrejev, que trabalha para o Instituto Max Planck, da Alemanha, se surpreende com a persistente popularidade de produtos que os russos bebem por conter álcool, mas que não são apropriados para o consumo, como produtos de limpeza, perfumes e remédios.
 
"Desde a época da União Soviética já se bebiam líquidos que não eram apropriados", diz Andrejev. "Naquele tempo, no entanto, podia justificar o hábito pela pouco acesso à vodka. Atualmente, a bebida está 24 horas por dia a disposição, é barata, mas as pessoas continuam bebendo os substitutos".

O pesquisador diz que os outros produtos são mais baratos, mas são também mais fortes, com uma graduação alcoólica entre 60 e 97%, o que causa um efeito ainda mais rápido no corpo de quem bebe.
 
Andrejev afirma que tem a impressão de que muitos desses líquidos são produzidos propositalmente para o consumo. E questiona, por exemplo, a possibilidade de encontrar no mercado russo, loções pós-barba em garrafas de meio litro.
 
*adaptação: Daniela Stefano

Tags: bebidas alcoólicas, jovens alcoólatras, loções pós-barba, mercado russo, psquiatria, Rússia, saúde, Stanislav Mochnatsjov

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