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Munganga comemora 21 anos

Daniela Stefano

06-03-2008

O Munganga completa, neste ano, 21 anos de existência na Holanda. Dirigido por um casal de brasileiros, o grupo de teatro pretende comemorar a 'maioridade' com a exibição de quatro espetáculos e uma exposição iconográfica no Brasil.
As produções poderão entrar em cartaz em 2008 em São Paulo,
Belo Horizonte e Recife.

Munganga é uma palavra de origem africana que significa fazer caretas, dançar com grande gesticulação ou fazer movimentos cômicos repentinos para provocar emoções. Com esse espírito, a trupe montou, desde 1986, 17 espetáculos dedicados ao que o grupo denomina de "teatro total", que chama a atenção pela linguagem física viva e poética.
 

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O espetáculo "Mimo" é a última
montagem do grupo Munganga

A diretora Cláudia Maoli conta um pouco da experiência: "Aqui na Holanda, os teatros compram uma peça para ser montada cada dia em um lugar diferente, um dia no norte, outro no sul do país, um dia num teatro superluxuoso, outro dia num espaço com pouquíssimas condições. É uma realidade bem mais mambembe do que no Brasil, em que os artistas ficam em cartaz, durante uma temporada, apenas num teatro".

Filhos de refugiados
As peças direcionadas ao público infanto-juvenil são também levadas a escolas. Aliado ao trabalho de palco, o Munganga desenvolve projetos sociais. Três desses foram realizados com crianças filhas de refugiados políticos, que buscam asilo na Holanda.

"Há crianças que estão aqui há mais de seis anos, esperando uma resposta do governo ao pedido de asilo. Enquanto isso, elas não podem sair do centro de refugiados e nem ter contato com outras crianças holandesas. Elas têm aula de holandês, mas ficam presas dentro daquele lugar. E eu já inventei uma boa moda com eles", conta a diretora teatral.

Arte e Cidadania
Os diretores do Munganga, Carlos Lagoeiro e Cláudia Maoli, começaram a trabalhar juntos no início dos anos 1980. Desde então, misturam arte com cidadania. "No Brasil eu fazia espetáculos aos sábados e domingos para a classe média e durante a semana eu trabalhava com meninos de rua", lembra Maoli.

A diretora e atriz diz que a influência do educador Paulo Freire e do dramaturgo Augusto Boal estão presentes no trabalho desenvolvido pela companhia na Holanda: "Eu não consigo fazer teatro só para entreter, essa nunca foi a minha idéia. Nunca quis ir para a (Rede) Globo. Eu sempre fui dura, mas feliz da vida", brinca.  

Para todas as idades
Embora muitas peças sejam dirigidas ao público infanto-juvenil, Carlos Lagoeiro explica que o desafio das produções que realizam é transpor a barreira da idade do público: "A gente tenta criar um espetáculo que seja interessante para adultos e crianças, o que é extremamente difícil."

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Foto: Nicole van Hasselt

O Munganga aborda temas como a velhice, imigração, perda de um ente querido, amor. O grupo afirma tentar promover a conscientização das crianças sobre a importância de respeitar os valores individuais.

Reflexão
Para Maoli, a escolha dos temas está relacionada com o papel do grupo como artistas: "As crianças estão vendo muita violência nos videogames, na televisão e nos filmes. Eu acho que eles recebem muito pouco outros tipos de valores e estímulos. Trazer questões que façam eles refletir é o nosso papel com a arte".

O Muganga tem sede em Amsterdã. Além das apresentações principalmente na Holanda e Bélgica, algumas obras foram levadas também ao Paquistão, Japão, França, Itália, Curaçao, Bonaire e Aruba.

Tags: arte, Brasil, Carlos Lagoeiro, cidadania, Claudia Maoli, Daniela Stefano, Holanda, Munganga, público infanto-juvenil, refugiados políticos, teatro

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