Railda Herrero e Mario de Freitas
31-08-2006
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A representante da Embaixada holandesa, ministra-conselheira Marijke van Drunen Littel.
Fotos: Railda Herrero e Mario de Feitas
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As águas de agosto do Rio Amazonas que se encontram com o Tapajós sem se misturar, em frente à cidade de Santarém, trouxeram um presente aos ribeirinhos do oeste paraense. O barco-hospital Abaré foi saudado com festa e circo na semana passada na região.
A Holanda teve participação especial nos festejos pelo apoio dado ao projeto. Em todas as comunidades onde passou a atracar, o barco-hospital do Projeto Saúde & Alegria (PSA) era saudado com banda e rojões.
Projetado em Gorichen, na Holanda, e construído por um estaleiro de Manaus, o Barco Abaré vivenciou dias de música, festa e quebra de cabaça, à moda local. Na festa, teve até corte de fita pela representante da Embaixada dos Países Baixos no Brasil, a ministra-conselheira Marijke van Drunen Littel.
Qualidade
Para o infectologista Eugenio Scannavino, um dos coordenadores do PSA, o barco Abaré "é um ganho histórico importante para assegurar serviço de saúde com qualidade a esta população esquecida". No entanto, o médico ressalta que "o Abaré não é um divisor de águas no Tapajós, mas é conseqüência do trabalho que vem sendo desenvolvido há quase vinte anos na região". Para Scannavino, o mérito da instituição que coordena é estar contribuindo de maneira demonstrativa com experiências concretas na constituição de políticas sociais e ambientais na Amazônia.
As estatísticas apontam o sucesso do projeto. Na área de abrangência do PSA, a mortalidade infantil foi reduzida a 23 por mil. A média regional onde não atuam é de 63 mortes para cada mil crianças nascidas vivas.
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Conheça o trabalho de Terre des Hommes -Holanda.
Ouça a entrevista da diretora da instituição no Brasil, Márcia Iglesias. |
O projeto conta com apoio de diversas instituições nacionais e internacionais. Entre as âncoras está a agência holandesa de cooperação para o desenvolvimento Terre des Hommes (TDH), que participou ativamente do projeto da construção do barco. Para a diretora da instituição holandesa no Brasil, Márcia Iglesias, a festa de inauguração do barco-hospital foi "a realização de um sonho das duas parcerias". A TDH apóia 16 organizações no Brasil, principalmente voltadas ao trabalho com crianças.
Premiação
Scannavino tem dificuldade em enumerar os prêmios recebidos pela instituição. Do Banco Mundial, o PSA ganhou o prêmio de Cidadania pela Experiência Social Inovadora. A inovação também garantiu a Scannavino o posto mundial de um dos 21 pioneiros do século XXI, apontado pela mídia internacional.
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O Saúde & Alegria foi premiado pelas Nações Unidas e foi galardoado, entre outros, pelos projetos de energia renovável nas comunidades. O reconhecimento internacional garantiu uma cadeira à instituição, que ajuda a levar o contraponto popular na Suíça, na discussão dos rumos do planeta, em Davos, quando se reúnem os representantes dos países mais ricos, a cada ano.
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| Gran Circo Mocorongo na festa da chegada do barco em Santarém. O circo é composto de médicos, advogados, comunicadores, contadores, pedagogos, advogados, enfim, da própria equipe do Saúde & Alegria. |
Alegria do corpo, saúde da alma
"Saúde, alegria do corpo. Alegria, saúde da alma". Esta definição de uma senhora de uma comunidade ribeirinha do oeste paraense, dá o tom do que representa o trabalho do Projeto Saúde & Alegria numa região do tamanho da Bélgica. São quase 150 comunidades e 30 mil ribeirinhos beneficiados nos rios Tapajós, Arapiuns, e Amazonas, na zona rural dos municípios de Santarém, Belterra e Aveiros, no Pará. O PSA está na região desde 1987, quando começou a atender a 16 comunidades.
Ao chegar nestas comunidades extrativistas, médicos, agrônomos, advogados, educadores e comunicadores fantasiados de palhaços espalham mais do que remédios e fórmulas mágicas para reduzir doenças e problemas econômicos na região.
A equipe multidisciplinar visa promover o desenvolvimento integrado através de ações voltadas ao reforço da organização comunitária. Além de atendimento médico e odontológico, há trabalho lúdico para garantir a prevenção de doenças via palhaçadas, sob a lona imaginária de folhas do Gran Circo Mocoronga.
A equipe dá especial atenção à produção e manejo agroflorestal, e a programas que visem geração de renda às populações ribeirinhas. A arte, o lúdico e a comunicação se entrelaçam como os cipós dos artesanatos estimulados nas "oficinas caboclas", promovidas pelo PSA, tornando-se instrumentos de educação, participação e mobilização.
A comunicação popular tem peso no PSA, envolvendo 150 jovens "repórteres" nas comunidades, que participam da Rede Mocoronga de Comunicação, com dezenas de rádios comunitárias. As notícias locais ou do mundo são divulgadas nos diferentes meios da Rede. O termo mocorongo é utilizado na região para designar quem nasce em Santarém.
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A Internet também está na ordem do dia na floresta. O projeto já garantiu a abertura de quatro telecentros na região. Antenas e energia solar asseguraram a entrada das comunidades ribeirinhas na rede e o prêmio de "Inclusão Digital". |