A tensão militar na Geórgia teve um novo momento desde a guerra de cinco dias entre a Rússia e Geórgia em agosto do ano passado. Autoridades georgianas dizem ter impedido um golpe de estado que pretendia derrubar o presidente Mikheil Saakasjvili. Para grande irritação da Rússia, tropas da Otan estão prontas para começar um exercício junto com o exército georgiano.
O presidente russo Dmitri Medvedev disse que "o exercício da Otan na Geórgia, que está planejado para o período de seis de maio até primeiro de junho, pode ser considerado uma provocação aberta, no que concordam nossos parceiros da Otan". Segundo Medvedev, "não pode haver exercícios militares num lugar em que há pouco tempo atrás ainda havia uma guerra. Todas as consequências negativas vêm às pessoas que decidiram isso."
Exagero
A Otan considera a preocupação da Rússia exagerada, ainda mais porque os exercícios são focados no combate ao terrorismo e haviam sido planejados há muito tempo, segundo o porta-voz da organização, James Apputhurai.
"Todos os membros da Otan foram convidados a participar" disse Appathurau numa coletiva de imprensa em Bruxelas. "A Rússia não aceitou o convite. Ela também não participou dos encontros de planejamento que são importantes para a participação. Mas como membro da Otan a Rússia sempre esteve a par do como e porquê desse exercício."
Escândalo diplomático
Esses exercícios se seguem logo após escândalo diplomático em Bruxelas, que causou tensão nas relações entre a Rússia e a Otan. A Otan retirou dois diplomatas russos como resposta ao desmascaramento e condenação de um homem na Estônia, que durante anos repassou documentos secretos da organização ao serviço de inteligência russa. A Rússia chamou essa atitude de grande provocação intencionada a destruir a melhoria das relações entre Bruxelas e o país.
O primeiro resultado já é visível: a retomada oficial de deliberação a nível ministerial foi suspensa, pela primeira vez desde a suspensão ocorrida com a guerra de agosto na Geórgia. Moscou ainda delibera suas próximas ações. Elas serão adequadas, promete o representante diplomático russo na Otan, Dmitri Rogozin, mas não chegará a uma quebra de relações diplomáticas.
"Em nível ministerial não há nada a discutir nesse momento", disse Rogozin ao locutor Echo Moskvy, "mas o que podemos fazer é conversar entre embaixadores. Por isso propus hoje aos meus colegas que se reunissem o mais rápido possível para discutir uma única questão: quem estava querendo destruir tudo aquilo que conseguimos com tanto esforço nos últimos meses e por quê?"
O presidente da Geórgia, Saakasjvili, pôs fogo na lenha ao culpar os russos de envolvimento num motim do exército da Geórgia, que possivelmente tinha como fim tomar o poder no país. Os russos estariam tentando impedir os exercícios da Otan e interromper a aproximação entre a Geórgia e o ocidente. A Rússia chama as acusações da Geórgia de disparates, e aconselhou Saakasjvili, que segundo Rogozin vê o dedo de Moscou em tudo, a procurar ajuda médica.
