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Aposentadoria para os roqueiros

Perro de Jong

24-04-2009

Os roqueiros dos anos 60 preferem morrer a envelhecer. Mas, por sorte, isso nem sempre acontece. Com uma controversa extensão do direito autoral, o Parlamento Europeu agora cuida para que roqueiros veteranos possam colher os frutos de sua música na velhice.

'Livin' Doll', 'The Twist' e 'Kom van dat dak af': três grandes hits dos anos 60.

Os compositores dessas músicas estão protegidos, décadas depois de sua morte, pelo direito autoral. Mas isso não vale para os intérpretes, como Buddy Savitt, cujo saxofone pode ser ouvido em ‘The Twist'. Ou Egon Kjerrman, que gravou em sueco o sucesso do holandês Peter Koelewijn ‘Kom van dat dak af'. Ou Cliff Richard, que gravou ‘Living Doll', mas não é o autor da música.

Fonte de renda
Eles recebem royalties quando estes números são tocados nas rádios, mas royalties caducam após cinquenta anos. Portanto, em breve.

"Antes a gente não pensava neste tipo de coisa", diz o veterano roqueiro holandês Peter Koelewijn. "Ainda me lembro bem de quando assinei meu primeiro contrato com a Phonogram. O diretor me disse: ‘Peter, você tem que ter um contrato fixo, ou não vai ter aposentadoria'. Mas quando a gente tem 25 ou 26 anos, aposentadoria é a última coisa em que se pensa. Agora sim. Recebo já há três anos a minha."

Campanha
"I hope I die before I get old" (espero morrer antes de envelhecer), cantava o vocalista do The Who, Roger Daltrey em 1965, em ‘My generation'. Mas este ano ele também atinge a idade para a aposentadoria. Junto com Cliff Richard, Daltrey iniciou uma campanha para a extensão do direito autoral sobre gravações musicais.

O governo britânico não os escutou, mas o comissário da União Europeia para o mercado interno, Charlie McCreevy, sim. Ele propôs no ano passado que a proteção do direito autoral de intérprete passasse de 50 para 95 anos.


  Roger Daltrey, agora beirando a idade para a aposentadoria.

Centavos por ano
De acordo com Peter Koelewijn, a proposta de McCreevy não é tão boa. "Se recebemos um euro em royalties, cinquenta centavos vão para a gravadora. Eu, por exemplo, fiz uma música na qual se ouve cordas, sopros e tudo o mais. Se o violinista recebe um centavo é muito. Portanto, se um artista tiver que tirar sua aposentadoria daí, vai morrer de fome."

Músicos acompanhadores recebem em média, por ano, entre 0,26 centavos e 26,70 euros. Só os grandes nomes, como Cliff Richard, recebem mais, porque recebem por muitas músicas que ainda são muito tocadas.

Mas quem fica com ainda mais são as gravadoras. Uma extensão do direito autoral significará 150 milhões de euros extra, com os quais poderão compensar a queda nas vendas de CDs.

Divisão escandalosa
"Tenho pena das gravadoras, mas nem tanta assim", diz Peter Koelewijn, furioso. "Ainda acho que a divisão dos direitos é escandalosa. Eu teria achado melhor se as gravadoras tivessem mudado estas percentagens há muito tempo, de forma que artistas e músicos já pudessem há mais tempo receber a renda desses direitos para sua aposentadoria."

Apesar dos protestos de partidos como o holandês GroenLinks, o Parlamento Europeu aprovou esta semana a extensão do direito autoral para gravações. Mas os parlamentares atenuaram a proposta original de McCreevy, deixando a proteção em 70 anos, ao invés de 95.

 

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