"Em 58 dias conseguimos fazer o que não se fazia há anos. Nápoles está limpa e pode ser chamada de novo de uma cidade ocidental". Foram palavras de contentamento do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, ao se referir à montanha de lixo, que, há meses, se acumulava nas ruas da cidade, devido, entre outras coisas, aos desentendimentos com a máfia napolitana, até então, responsáveis em parte pela tarefa.
| Berlusconi e o lixo em Nápoles |
Em apenas dois meses, mais de 35 mil toneladas de lixo foram retiradas das ruas da cidade. Hoje, ela está limpa como nunca antes havia estado.
Nos subúrbios ainda restam algumas toneladas, mas o lixo mais putrefato já foi retirado.
Mesmo assim, muitos acham Berlusconi um tanto quanto otimista ao afirmar que a crise, de agora em diante, estava solucionada para sempre. A situação de calamidade, que já durava sete meses, parece de fato ter terminado.
As grandes avenidas napolitanas à beira mar, que estavam lotadas de lixo, garrafas e outras sujeiras, estão agora limpas. Tanto é que o napolitano aproveitou o fato para flanar nos calçadões à beira mar e apanhar um pouco de sol, agora que tudo está limpo.
A pessoa certa, no lugar certo
Em primeiro lugar, tudo se deve a Guido Bertolaso, o homem apontado por Berlusconi, desde a primeira reunião de seu novo gabinete, no dia 21 de maio, como Secretário de Estado, responsável pela solução da problemática da coleta do lixo daquela grande cidade italiana, ao sul de Roma.
Bertolaso, de 58 anos, foi a pessoa indicada para a crise, como o responsável por este setor dentro do Ministério do Interior, há anos, lutando contra grandes desastres como terremoto, inundações, incêndios florestais e grandes epidemias.
Já em 2006, o governo do primeiro-ministro Romano Prodi o havia apontado como o enviado especial para resolver a problemática do lixo de Nápoles. Um ano depois, ele pediu demissão após desentendimento com o ministro do Meio Ambiente, Alfonso Pecoraro Scanio.
Com as eleições de abril, tudo mudou. A coalizão de direita de Berlusconi venceu as eleições e os Partidos Verde e Comunista saíram do governo italiano, colocando um fim à oposição da construção dessas novas instalações para trabalhar o lixo de Nápoles.
Berlusconi, então novamente no governo, chama de volta Bertolaso para a sua função, dando-lhe carta branca para solucionar o problema do lixo, da famosa cidade balneária do sul da Itália, a famosa Nápoles.
Coleta diferenciada
Mesmo assim, a coleta não está totalmente solucionada. Após o verão europeu, toda a província de Campania, de onde Nápoles é a capital, terá que instalar um sistema diferenciado de coleta, para facilitar ao máximo a reciclagem do lixo.
Atualmente, apenas 25% do lixo coletado obedece às normas de diferenciação e, em Nápoles, apenas 10%. O objetivo do plano de Bertolaso é atingir 60% até o final do ano. As administrações municipais que não preencherem essas normas serão enviadas para a casa e substituídas por um comissário do governo.
Enquanto isto estão sendo preparados os grandes crematórios para incinerar o lixo. Tudo está preparado na pequena cidade de Acerra, próxima à Nápoles, mas, devido aos protestos da população, o início de suas operações foi adiado. Nova data para isto foi marcada: janeiro do próximo ano.
Máfia
Mesmo assim, a crise do lixo de Nápoles não estará totalmente solucionada. Aproveitando o caos que reinava há anos nessa coleta, bandos da Camorra, a máfia napolitana, dominaram o setor há quinze anos, jogando o lixo coletado nos arrabaldes da cidade, inclusive o lixo mais perecível e mais perigoso para a população.
Recentemente, o governo descobriu novos depósitos ilegais de lixo. Por isto, acredita-se que a batalha do lixo de Nápoles, que também envolve a camorra no assunto, ainda deva durar alguns anos.
* Adaptação: Luís Henrique de Freitas Pádua
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