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Rússia e UE: parceiros a contra-gosto

Thijs Papot*

27-06-2008

Um novo acordo de cooperação. Essa é a aposta para a reunião entre a cúpula da União Européia e a Rússia que começou em 26 de junho, em Khanty-Mansiisk, na Sibéria. Em 2007, as negociações para um acordo foram bloqueadas pelos poloneses e, nesse ano, o assunto ainda não está resolvido nesta cidade russa. A Lituânia também tem pendências a resolver com Moscou e será um dos países mais críticos sobre qualquer acordo.

"Este lugar simboliza a péssima relação entre a Rússia e a Lituânia", diz Tomas Sernas, ex-guarda de fronteira, referindo-se à antiga guarita entre a Lituânia e a Bielorrússia. O pequeno escritório perto do povoado de Medininkai tornou-se um monumento, guardado e conservado por uma parede de vidro. Na pequena construção cheirando a mofo ainda se vê o telefone, a lanterna, e a máquina de escrever há dezessete anos nos mesmos lugares. O tempo parou na cidadezinha e as manchas de sangue no chão desbotaram.

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O atentado que Tomas Sernas sofreu na Lituânia
expõe a frágil relação entre o seu país e a Rússia
Para Tomas Sernas, o drama que aconteceu no local na noite de 31 de julho de 1991 ainda é sentido como se tivesse acontecido ontem. Ele tinha chegado a Medininkai tinha pouco tempo, logo após ter se oferecido como voluntário para o movimento pela independência da Lituânia. Naquela época da recém-conquistada independência, a decisão era um ato de patriotismo, com um caráter simbólico muito especial no país. Sernas e seus sete colegas estavam desarmados quando foram dominados, naquela noite, por homens uniformizados falando russo.

Sernas sobreviveu à chacina, mas uma lesão cerebral o mantém numa cadeira de rodas. "Os autores da chacina eram frios e calculistas e tinham silenciadores nas pistolas. Com certeza foi um crime encomendado por Moscou", diz ele. Tomas Sernas é o único sobrevivente para contar a história. Mas como testemunhar se os autores andam livres por aí?

"Sabemos exatamente quem foi que fez isto e há até mesmo um mandato europeu de prisão. Então, por que os russos não querem colaborar para esclarecer o caso?" A pergunta do secretário de Estado de Relações Exteriores, Zygimantis Pavilionis, ressoa no ar.

Oleoduto
Um dos principais assuntos que a Lituânia quer rever no novo acordo estratégico com a Rússia é uma melhor colaboração judicial entre a Rússia e UE. Há ainda mais questões entaladas na garganta dos lituanos em relação a Moscou como, por exemplo, o uso político do oleoduto de Druzhba, para fazer pressão sobre eles. "Há mais de dois anos que não corre petróleo na direção da Lituânia como represália à recusa do país em vender uma refinaria de petróleo a troco de banana para os russos", diz Pavilionis.

Além disso, a Lituânia exige clareza sobre o papel da Rússia na Moldávia e na Geórgia, duas ex-repúblicas soviéticas que mantêm ligações com regiões separatistas. Como país vizinho da Rússia, também nos sentimos atacados com essa intervenção deles. "Quem diz que isso não pode acontecer também na Lituânia?", conclui. A resposta parece óbvia: porque a Lituânia atualmente é membro da União Européia e da Otan, a Organização militar do Tratado Atlântico Norte.

Pressão
Estes novos membros da EU têm exercido grande pressão ultimamente em relação às suas pendências com a Rússia. No ano passado, a Polônia vetou o mesmo tratado por causa de um longo conflito sobre a importação de alimentos poloneses. Agora, quem ameaça com veto é a Lituânia.

Isto não é por acaso, diz Pavilionis. "Esta região vê por outro prisma a Rússia, e o resto da Europa faria muito bem em escutar nossos avisos. A União Européia não deve se concentrar somente nas questões econômicas neste novo acordo estratégico com a Rússia. A gente faz cada vez mais de conta que a Rússia está alcançando os padrões europeus de democracia, mas o contrário é verdadeiro também". A crescente falta de Estado de direito e democracia são a prova, segundo Pavilionis, de que a Rússia está pisando na bola. "Eu não chamo isso de parceiro estratégico, mas um vizinho problemático", acrescenta.

Com a promessa de resolver os problemas citados acima e trabalhar o texto do acordo, representantes da União Européia estão na Sibéria. As negociações prometem ser difíceis. Qualquer vacilo será honrado com um veto lituano, prevê o secretário de Estado Pavilionis, "pois o conselho coletivo dos países está na presidência".

*Adaptação: Railda Herrero

Tags: Bielorrússia, ex-repúblicas soviéticas, independência, Lituânia, Otan, patriotismo, petróleo, regiões separatistas, Rússia, Thijs Papot, UE, União Européia

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