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Ligações suspeitas com o Hezbollah

Edwin Koopman

01-05-2009

Já havia suspeitas, mas agora a justiça de vários países afirma que há provas: o grupo radical libanês Hezbollah recebe mesmo dinheiro de contrabando da América Latina.

O bando de traficantes de drogas desmembrado, nessa semana, em Curaçao mantém, de acordo com informações da justiça de Curaçao, Holanda, Bélgica, Colômbia, Venezuela e Estados Unidos - que realizaram a operação em conjunto -, ligações com o grupo radical libanês Hezbollah, que aparece no topo das listas internacionais de organizações terroristas.


  A porta-voz da Justiça de Curaçao, Ludmila Vicento,
      e o chefe da polícia local Carlos Casseres, em
                 entrevista coletiva à imprensa.
foto: René Roodheuvel


Ao todo, dezessete pessoas foram presas - originárias de Curaçao, Colômbia, Venezuela, Líbano e Cuba -, acusadas de tráfico de drogas. Mas o grupo também aparenta ter laços com redes criminosas no Oriente Médio que apóiam financeiramente o Hezbollah. O bando seria responsável pela entrada e saída de cerca de duas toneladas de cocaína por ano. Uma parte dos lucros terminava, por vias bancárias ilícitas, no Líbano.

Suspeitas de que o Hezbollah recebe apoio financeiro vindo da América Latina não são novas. O serviço de inteligência norte-americano (CIA) suspeita há anos que a comunidade libanesa na região faz doações à organização. Após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, os norte-americanos passaram a olhar com mais atenção para a região das três fronteiras entre Brasil, Argentina e Paraguai, que há muito tempo é conhecida pelas atividades de contrabando.

Comunidade árabe
O comércio, e com ele o contrabando de cigarros, eletro-eletrônicos e drogas, está em grande parte nas mãos da comunidade árabe. Muitos imigrantes na região são do Líbano - vindos em 1948, após a guerra entre árabes e israelitas, e em 1985, durante a guerra civil libanesa.

De acordo com os Estados Unidos, uma grande parte dos lucros com o contrabando vai para o Hezbollah. Acredita-se até mesmo que o ataque ao centro cultural judeu em Buenos Aires, em 1994, no qual 85 pessoas morreram, tenha sido planejado na região das três fronteiras.

Empresários libaneses na região admitem que fazem doações ao Hezbollah. Mas provas de atividades terroristas e campos de treinamento nunca foram encontradas.

Irã
Nos últimos anos, a atenção norte-americana deixou a região das três fronteiras para se concentrar no norte da América do Sul, por conta das relações amigáveis entre Venezuela e Irã - país que segundo os EUA promove o terrorismo e financia o Hezbollah.

O Irã tem estado cada vez mais presente na América Latina. O que é extraordinário, dizem os norte-americanos, porque Teerã - fora a ligação com a Venezuela por causa do petróleo - não tem historicamente laços econômicos ou culturais com a região. Apesar disso, o Irã abriu novos postos diplomáticos, entre outros, na Nicarágua, Equador e Colômbia, e tem trabalhado mais proximamente com a Bolívia e a Venezuela. Segundo analistas norte-americanos, esta infraestrutura diplomática aumenta a liberdade de movimento de terroristas na região.

Temores
Se estas suspeitas são baseadas em fatos ou apenas em temores, não está muito claro. Não só os EUA, mas o próprio Hezbollah, têm interesse em exagerar sua presença na América Latina. Em 2006, por exemplo, apareceu na internet um enorme ‘Hezbollah América Latina', que seria ativo em cinco países. O núcleo seria o ‘Hezbollah Venezuela', que se dizia responsável por explosivos encontrados em 2006 na embaixada dos EUA na Venezuela. Desde então, nada mais se ouviu falar a respeito.

Ainda não há detalhes sobre as supostas ligações, citadas pelo Ministério Público de Curaçao, entre o grupo preso esta semana e o Hezbollah. Mas o processo contra os dezessete traficantes presos em Curaçao deve trazer novas pistas sobre a conexão latino-americana com o grupo libanês.

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