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Megalópole de máscara

Benjamín Fernández Bogado - da Cidade do México

27-04-2009

Uma das mais populosas cidades do mundo, a Cidade do México vive hoje momentos tão estranhos quanto contraditórios. Uma megalópole "acostumada" a um trânsito infernal, aos terremotos, à criminalidade e à delinquência, e que suporta viver com uma poluição que toca tudo, até o intocável, se pôs de máscaras e olha com temor para qualquer pessoa que tussa ou espirre.

Desde a última sexta-feira, a aparição do vírus N1H e seus mais de 100 mortos até agora, fez soar os alarmes na capital mexicana, no estado do México e San Luis Potosí. São mais de quarenta milhões de pessoas assistindo aos informes na televisão e ouvindo o rádio.

Golpe súbito
Primeiro foram suspensas as aulas nas escolas e universidades até o dia 6 de maio, depois mais de 500 eventos artísticos, e por fim estádios esportivos e igrejas também ficaram vazios, torcedores e fiéis agora só podem acompanhar jogos e missas pelo rádio, para evitar o contágio.

A Cidade do México é uma cidade vazia onde qualquer um com o menor sintoma da doença se transforma em um suspeito. Os alérgicos sofrem mais. A cidade os ataca nestes meses de poluição, estiagem e pólen de uma maneira drástica, de forma que não espirrar ou não tossir é quase impossível.

O vírus proveniente da chamada "febre suína" golpeou o país tão rapidamente que a resposta do governo é apenas de contenção e medo, para que não se estenda por todo o país. Os Estados Unidos estão assustados, embora seus casos não cheguem aos números do México.

Acusações
Bill Clinton havia dito, em 1995, na Cúpula das Américas, em Miami, que seriam três os grandes desafios deste milênio: terrorismo, guerra bacteriológica e manipulação genética. No México, há quem diga que tudo é obra do narcotráfico, a cujos operadores o governo de Felipe Calderón declarou uma guerra que já chega a dez mil mortos.

Outros afirmam que o mesmo governo é que está criando o medo, assim como a mídia o fez na época do "chupacabras". E há os que dizem que a situação mostra a precariedade em que se vive na América Latina todos os dias, e como estamos longe de ter capacidade de reação a casos deste tipo.

Cidade vazia
Não há pessoas nas ruas. Moro há três quadras de uma das avenidas mais movimentadas da cidade, Insurgentes. Está vazia, ninguém vai ao estádio dos Pumas da Unam, que jogam a portas fechadas contra o Chivas de Guadalajara. Os teatros cancelaram sua programação e estão só restituindo ingressos já comprados. As missas são transmitidas pelo rádio e pela televisão, as viagens turísticas à Cidade do México foram canceladas, e neste momento escuto que o aeroporto internacional pode ser fechado.

Tudo parece relativamente controlado. Para um país e uma cidade que sobreviveram a terremotos, insegurança, poluição e agitação social e política, o que acontece agora está mais ligado ao eterno convívio com o precário do que à angústia de saber-se receptor de um castigo divino ou uma conspiração criminosa.

Viver em uma cidade tão grande e quieta, tão extraordinariamente deserta em suas ruas, avenidas e metrôs, é uma experiência inquietante. Pusemos uma máscara em tudo, inclusive na possibilidade de imaginar o pior.

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