O diretor de programas regionais da WOLA (Washington Office for Latinamerica - escritório em Washington para a América Latina) afirmou em entrevista à Rádio Nederland que a administração Obama está disposta a mudar as relações políticas com a região. Questões como o combate ao tráfico de drogas e imigração serão discutidas na 5ª Cúpula das Américas, a ser realizada entre os dias 17 e 19 de abril, em Trinidad e Tobago.
Geoff Thale disse que "por um lado, haverá mais conversas sobre multilateralismo, igualdade e equidade, ou seja, haverá uma ruptura com a política da administração Bush. Por outro lado, haverá mais preocupação com a questão da violência no México e o narcotráfico, dos países Andinos à América Central".
Thale ressaltou que Barack Obama quer revisar percepções históricas que se tem nos Estados Unidos sobre imigração e tráfico de drogas. "Na Cúpula das Américas, Obama vai abordar estes temas com outra perspectiva, como desafios conjuntos, evitando enfretamentos políticos e enxergando a região como parceira."
Venezuela
Apesar das recentes provocações do líder venezuelano Hugo Chávez a Barack Obama, Thale espera que as relações entre os dois presidentes seja tranquila na nova administração. "Obama quer estender a mão a inimigos históricos dos Estados Unidos, como o Irã, a Coréia do Norte e algo neste sentido terá que acontecer com a Venezuela, Bolívia e outros países do chamado eixo boliviano (Brasil, Peru e Bolívia)."
Narcotráfico
Segundo Thale, a administração Obama também irá se concentrar mais na responsabilidade dos Estados Unidos em impedir o fluxo de armas para narcotraficantes no México e a América Central. Ele também afirmou que haverá maior atenção sobre a redução na demanda por drogas e entorpecentes em território americano. "Com o México e a América Central, o reforço institucional da polícia, do poder judiciário e a luta contra a corrupção serão temas centrais, mas ainda não se sabe até que ponto."
Plano Colômbia
Thale reconheceu que nos últimos dois anos os esforços têm se voltado menos para o enfrentamento militar e mais para o fortalecimento das instituições e o respeito aos direitos humanos. O congresso norte-americano deve continuar pressionando na mesma direção. "A administração Obama seguirá apoiando o governo Uribe, mas talvez não seja uma relação tão forte e estreita como a do governo Bush."
Migração
A reforma nas leis de imigração continuará sendo o maior desafio no campo da política interna. Segundo o diretor da WOLA, Obama quer avanços, mas as votações serão muito difíceis. "Os setores preocupados com o nível do emprego e a crise econômica serão os mais ativos na tentativa de impedir qualquer consenso."
