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Sul dos EUA é "zona de guerra"

Luisa Fernanda López

28-04-2009

Centenas de imigrantes latinos que vivem no sul dos Estados Unidos enfrentam grave situação de racismo, discriminação, criminalização, maus-tratos trabalhistas e sexuais. Os latinos, segundo relatório do Centro de Lei sobre a Pobreza no Sul estão em fogo cruzado na guerra empreendida pelos Estados Unidos contra os "ilegais".

Trabalhadores acossados
No sul dos Estados Unidos a população de imigrantes latinos vem aumentando com rapidez. Em 2006 os estados de Arkansas, Alabama, Geórgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Tennesse passaram a contar com cerca de 1,6 milhão de latinos na produção, mão-de-obra necessária para manter o auge econômico dos anos 90. Entretanto, milhares de pessoas que chegaram durante aqueles anos, e que continuam chegando, têm enfrentado mais dificuldades do que deixaram em seus países de origem.

No estudo, o Centro de Lei sobre a Pobreza no Sul constata que os imigrantes latino-americanos recebem salários irregulares e têm serviços básicos de saúde e de segurança negados. São ainda submetidos a permanente segregação racial e são acossados pela polícia. Esta situação de vulnerabilidade os torna presa fácil de delinquentes.

Muitos dos latinos entrevistados, apesar de terem residência permanente há muitos anos na região, qualificam o sul dos Estados Unidos como uma verdadeira "zona de guerra".

Bodes expiatórios
A discriminação e o racismo não são novos no sul dos Estados Unidos. No entanto, segundo Meredith Cabell, do Centro Legal do Sul para a Pobreza, o que está ocorrendo agora é a transferência dessas mazelas aos latinos. "Esse tratamento, que muitos latinos comparam com uma situação de opressão e de subordinação racial, que os negros suportaram durante a era de Jim Crow, é motivado por políticos e personagens que utilizam os meios de comunicação e veem os imigrantes como bodes expiatórios, espalhando propaganda falsa contra eles".

De acordo com o relatório do Centro Legal do Sul, em muitas áreas sulistas dos Estados Unidos, em vez de haver atuação para proibir e eliminar a exploração sistemática e a discriminação contra os latinos, a situação vem sendo exacerbada. Em diversos Estados norte-americanos do Sul foram promulgadas leis polêmicas que tendem a limitar ou eliminar os serviços sociais a pessoas que se encontrem em situação irregular. O objetivo, diz o estudo é "fazer a vida dos imigrantes impossível, para que abandonem a região e regressem aos países de origem".

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