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Greve de sexo no Quênia

Koert Lindijer - de Nairóbi

08-05-2009

Várias organizações de mulheres no Quênia se uniram para fazer sete dias de greve de sexo. Não para punir os homens, mas para chamar atenção para a dramática situação política que assola o país.

Alguns acharam a greve de sexo uma boa idéia por ser uma ação não violenta: ‘Gandhi na cama'. Outros foram contra porque viram seu ‘direito ao sexo' no casamento atacado. Mas apesar das diferentes opiniões, todos concordam que esta ação simbólica realmente chamou muita atenção. E isso é bom, pois a crítica aos jogos de poder entre os políticos quenianos, que era o objetivo das organizadoras da greve, é o assunto em pauta entre todos os quenianos.

País machista
O Quênia é apontado como um país altamente machista. As mulheres devem manter a boca fechada quando os homens tomam uma decisão. Sexo é um direito do homem e uma obrigação da mulher. Direito de herança é quase sempre do homem.

E não se fala sobre sexo. Uma pequena pesquisa de opinião sobre o sucesso da greve causou principalmente risos. Os homens me disseram que esta ação pode levar a separações, pois negar sexo ao marido não é aceitável. Durante programas de tv e rádio, homens enraivecidos também demonstraram sentimentos similares.

Prostitutas
Uma visita à rua Koinange em Nairóbi - no bairro dos bordéis da capital queniana - deixa claro que as prostitutas tiveram bons negócios na última semana. Aparentemente, muitos homens viram a recusa de suas esposas como um motivo justo para procurar as prostitutas.

A greve de sexo também gerou muitas piadas. Sobre o idoso presidente Kibaki, por exemplo, que já não tem poder para reger o país efetivamente, quanto mais para o sexo. Ou sobre seu rival, Rail Odinga, cuja esposa se declarou publicamente solidária à greve, mas que tem namoradas suficientes para satisfazê-lo sexualmente. Risos, portanto, por conta da greve. E um pouco de humor, para um país que vive dias tão difíceis, é sempre bem-vindo.

Impasse
As dez organizações por trás da greve reclamam sobre as reformas que os partidos da coalizão do governo prometeu, mas até hoje não cumpriu. Existe um grande e perigoso impasse político no Quênia. As manchetes nos jornais desta semana falavam dos dois rivais - o presidente Kibaki e o primeiro-ministro Odinga -, que após duas semanas haviam se encontrado novamente. Os dois líderes do país praticamente não se falam mais.

O Quênia se equilibrou à beira do abismo durante dois meses no início do ano passado, como consequência das controversas eleições presidenciais e da violência política em grande escala que se seguiu. Sob pressão internacional, formou-se uma coalizão entre os partidos de Kibaki e Odinga.

Corrupção
O partido de oposição de Odinga agora está no governo, mas não tem nenhum poder. A constante briga pelo poder deixou o governo do país paralisado. Praticamente não há governo, mas sim constantes desavenças entre os parceiros da coalizão. Reformas ainda não aconteceram, nem em relação à desigual divisão de terras, nem no sistema de justiça corrupto, nem na força policial. E também não se fez quase nada para a nova constituição. Estas reformas são necessárias para que uma explosão social, como no início do ano passado, não volte a acontecer.

O mediador internacional, Kofi Annan, continua preocupado com o fato dos líderes quenianos não cumprirem suas promessas. Durante sua intermediação no ano passado ele ressaltou que a violência política deixou expostas as desigualdades sociais, como a gigantesca diferença entre pobres e ricos no Quênia.

Sem reformas, as causas mais profundas da violência de 2008 não serão resolvidas. Os quenianos sabem disso e numa pesquisa de opinião se mostraram muito negativos em relação à coalizão do governo. Mas a classe política não capta muito deste sentimento: a separação entre a elite política e o povo é maior do que nunca.

E este talvez seja o maior problema no Quênia. Enquanto uma bomba relógio social está prestes a explodir, os políticos fazem de conta que tudo vai bem. E uma semana de greve de sexo, infelizmente, fez muito pouca diferença nisso.

Opinião(ões):


alex-armeline@bol.com.br, alex-armeline@bol.com.br, 11-05-2009 - BRASIL

As mulheres da africa estão certas, os governos africanos tem que melhorar as condições de vida do continente.


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