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África do Sul vai às urnas

Elles van Gelder - de Soweto

22-04-2009

Um ônibus amarelo para na Freedom Square, em Soweto, próximo de Joanesburgo. O candidato à presidência do novo partido Cope desce e começa a distribuir folhetos.

"Estamos aqui para introduzir o Congresso do Povo", diz Mvume Dandala, de 57 anos. "Já é tempo para mudanças. Vote Cope." Um jovem sorveteiro pega o folheto e diz: "Estávamos esperando por uma alternativa faz tempo".


Otimista, Dandala distribui planfletos em Soweto.

Um novo partido de oposição se apresenta contra a ordem estabelecida. O Cope é um bebê na política sul-africana. O partido foi criado oficialmente em dezembro de 2008, mas vem do ninho do ANC - Congresso Nacional Africano. Mosiuoa Lekota, ex-ministro da Defesa, e Mbhazima Shilowa, ex-governador da província de Gauteng, foram os primeiros dissidentes. O antigo grupo do ex-presidente Tabo Mbeki não estava se sentindo ‘em casa' em um partido com Jacob Zuma como líder.

Decepção
O sorveteiro Jethro Kisike vai votar no Cope porque sua situação ainda não mudou desde as primeiras eleições democráticas, em 1994. "Nós lutamos para conseguir empregos", ele conta. "O atual governo nos decepcionou nos últimos quinze anos."

Além disso, muitos dos que estão optando pelo Cope não confiam no candidato a presidente do ANC, Jacob Zuma. Kisike também demonstra este desconforto. "As acusações de corrupção contra Zuma foram retiradas, mas eu acho que o ANC influenciou o sistema jurídico da África do Sul usando pressão política. Queremos uma democracia de verdade e uma justiça independente."


Jethro Kisike: 'O governo atual nos decepcionou'.

Credibilidade
Olhando o manifesto do Cope para as eleições, há poucas diferenças. Os dois partidos não podem fugir de grandes temas como pobreza, educação e criminalidade. O Cope não afirma que algo está errado com a política do ANC, diz apenas que os planos têm que ser implementados mais depressa. Mas o ANC perdeu pontos em normas, valores e sinceridade. Justamente por isso foi escolhido Dandala, bispo da Igreja Metodista, como candidato. Ele tem que irradiar credibilidade para vencer Zuma.

Para uma parte dos sul-africanos que jamais votaria na oposição - por fidelidade ao ANC, partido que libertou o país do apartheid -, o Cope é uma opção aceitável, já que também vem do ANC. Mas desde que o novo partido foi criado já houve atritos. Depois de um início promissor, no qual o partido ganhou muita atenção em todo o país, a campanha começou com dificuldade. A falta de consenso na escolha de um candidato não ajudou a conquistar a confiança dos eleitores, que também se perguntam porque os políticos do Cope não fizeram mais por eles quando ainda estavam no governo com o ANC.

Otimismo
"Vamos conquistar mais de 50% dos votos", diz o candidato Dandala na praça em Soweto. Mas é pura retórica de campanha. "Dandala está muito otimista", diz o analista político Mcebisi Ndletyana. "Eu acredito que o partido pode conseguir 15% dos votos e já terá que ficar feliz com isso."

Outro analista, Steven Friedman, acha que não passa de 10%. "O que não é nada mau para um partido novo. Mas como o próprio Cope se colocou objetivos tão altos, o partido sairá das eleições como o grande perdedor."

O apoio ao ANC ainda é enorme. Jacob Zuma será eleito o novo presidente da África do Sul. O que está em jogo nesta eleição é que pela primeira vez o ANC pode perder adeptos. Com isso o partido pode perder a maioria de dois terços, necessária para modificar a constituição. E os analistas Ndletyana e Friedman acreditam que isto irá acontecer.

Na praça em Soweto, Dandala entra de novo no ônibus e parte para conquistar eleitores em outro lugar. Mas não será o suficiente para a vitória que deseja.

Fotos: Elles van Gelder

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