Uganda está passando por uma grande transformação. O motivo é a descoberta de um grande jazigo de petróleo na bacia do lago Albert. A área mede 500 km de comprimento e 45 km de largura. O presidente do país, Yoweri Museveni, está eufórico: "Uganda vai dizer adeus às doenças, à pobreza, à dependência de países doadores. Petróleo não é uma maldição, mas uma benção!"
O holandês Hans Meijers, funcionário da companhia britânica Tullow, está animado. "O que encontramos aqui neste vale, principalmente ao norte, acredito que é o maior campo de petróleo da África sub-sahariana", diz.
Outro funcionário da Tullow, Brian Glover, acrescenta: "Nós encontramos um bilhão de barris de petróleo até agora. Uganda vai duplicar a sua renda."
A britânica Tullow tem licença
exclusiva para exploração no bloco 2,
e de 50% nos blocos e 1 e 3A.
Catástrofe?
Além de grandes expectativas, muitos ugandenses têm dúvidas. Numa audiência pública na capital Kampala, Hanry Aryamanya, representante da organização estatal para o meio ambiente fez um alerta: "As mudanças em Uganda estão prestes a acontecer. A única questão é saber como lidar com elas."
Estudantes na platéia reagiram com ceticismo. Um deles perguntou: "O lago Albert e seus arredores têm uma enorme biodiversidade. A natureza não será prejudicada?" Arymanya respondeu rápido: "O fato de que a exploração de petróleo na Nigéria foi um desastre não significa que Uganda vai falhar. Estamos tomando medidas de precaução para proteger a natureza."
De acordo com Hans Meijers, a indústria do petróleo aprendeu muito com o que aconteceu no delta do Níger e em outros lugares. "Hoje há muitos exemplos de desenvolvimento em que instalações de exploração de petróleo convivem paralelamente com uma paisagem fantástica, na Inglaterra há instalações que não interferem na paisagem, e este tipo de coisa também podemos fazer aqui."
Boom financeiro
Adebe Selassie, porta-voz para o Fundo Monetário Internacional (FMI), está otimista: "Depois de vinte anos de crescimento constante, o país está pronto para lidar com um boom financeiro."
Corrupção e clientelismo são comuns em Uganda, inclusive na família presidencial. Mas também há comissões parlamentares atentas e uma imprensa livre. Um diplomata ocidental afirma: "Vamos ver se o clientelismo prevalece às leis. A resposta está nas mãos da classe política."
Não há falta de boas intenções. Funcionários de Uganda foram para a Nigéria para adquirir experiência na indústria petrolífera.
Guerras civis
Mas será que Uganda tem capacidade para evitar as armadilhas? O número de países africanos ricos em petróleo vem crescendo, mas eles estão sujeitos a regimes autoritários e muitas vezes sofrem com guerras civis e corrupção. Em 2003, o economista britânico Paul Collier calculou que os estados ricos em petróleo têm 23% de chance de se envolverem em uma guerra civil. Nos países sem óleo, a probabilidade é de apenas 0,5%.
Petróleo muitas vezes traz mais conflitos do que esperança. Os enormes lucros da exploração não chegam aos pobres. Os ricos competem uns com os outros. O funcionalismo público e o exército estão cravados em corrupção, e setores como a agricultura e a pesca perdem sua rentabilidade.
Instabilidade
A região dos Grandes Lagos é uma das mais instáveis da África. Um assessor militar de uma das embaixadas ocidentais tem dúvidas se a extração de petróleo pode começar em 2010, como estava previsto. Ele adverte: "A região não é segura. Petróleo também foi encontrado no Congo, mas há um longo caminho até a exploração."
Dois anos atrás, conflitos entre soldados de Uganda e Congo terminaram com a morte de um trabalhador britânico. O caos no Congo é visto como uma ameaça para a atividade petrolífera em Uganda. É por isso que Uganda apoia o grupo rebelde Front Populaire pour la Justice au Congo (frente popular para a justiça no Congo), liderado pelo coronel Shariff. A esperança é que este grupo ajude na demarcação de fronteiras claras entre os dois países. Até agora, não há confiança de que uma boa relação de trabalho com a República Democrática do Congo possa ser estabelecida.
