Os guerrilheiros rebeldes do movimento Tigres do Tâmil desistiram da luta armada contra o exército do Sri Lanka. O líder do movimento tâmil diz que a batalha chegou a um final amargo. "Só nos resta uma opção: retirar a última desculpa que o inimigo tem para assassinar nosso povo", disse em mensagem oficial.
Com a derrota dos guerrilheiros, chega ao fim um longo conflito armado. Assim que o líder tâmil disse que se renderia, o exército singalês divulgou que o criador e comandante militar da guerrilha, Vellupilai Prabhakaran, teria possivelmente sido morto em uma das últimas batalhas.
A luta armada pela autonomia da região de maioria tâmil, no nordeste do Sri Lanka, começou há 26 anos e estima-se que cerca de 70 mil pessoas tenham morrido.
No último sábado, o presidente Mahinda Rajapakse anunciou que o exército havia derrotado os rebeldes. Mas os guerrilheiros ainda não tinham se pronunciado, por isso ainda se temia que trezentos a mil rebeldes voltariam para a floresta e continuariam a guerrilha. Mas já não havia dúvida de que os Tigres do Tâmil seriam derrotados, apenas não se sabia quando. No domingo, o porta-voz do grupo, Selvarasa Pathmanathan, divulgou que eles haviam decidido "silenciar suas armas".
Encurralados
A luta armada entre o governo singalês e os rebeldes ocorreu nos últimos dias em uma região que não tem mais que alguns quilômetros quadrados. A região fica na costa leste, em uma pequena faixa de terra entre o oceano Índico e um grande lago. Depois que o exército conseguiu ganhar mais terreno dos rebeldes, os Tigres do Tâmil perderam sua última saída para o mar, e com isso sua última possibilidade de fuga. O exército disse no domingo que 70 rebeldes que tentavam escapar em barcos de borracha tinham sido mortos.
O encurralamento dos rebeldes começou em 2007, quando o exército singalês passou a ocupar cada vez mais a região tâmil no nordeste do país. No início do ano passado, o governo anunciou uma trégua temporária, e desta forma preparou o caminho para uma ofensiva final. Quando no início deste ano a ‘capital' da região tâmil, Kilinochi, foi tomada, os militares haviam, de fato, chegado a seu objetivo.
Para a comunidade internacional, o interesse central nas últimas semanas foi pela situação da população civil na região do conflito, indefesa entre as duas forças inimigas. Guerrilheiros em fuga se ‘escondiam' entre a população rural. Como consequência, muitos civis foram mortos.
Desastre humanitário
A Cruz Vermelha Internacional, que é a única organização que tem acesso à região, não conseguiu levar medicamentos e comida para a área do conflito, por causa dos pesados ataques armados. A situação foi definida como um ‘desastre humanitário'.
Um anúncio do exército de que não havia mais civis na região não pôde ser confirmado. Anteriormente, o exército havia dito que os rebeldes estariam usando civis como escudos humanos.
O que acontecerá agora com o restante dos rebeldes não está claro. Eles podem se misturar à população local, mas não se espera que as autoridades deixem que fique por isso mesmo. Não se sabe se eles devem se entregar ou se seriam tomados como prisioneiros.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon mandou na semana passada um enviado especial a Colombo, para tentar ‘segurar' a operação militar, mas então já estava claro que o governo do presidente Rajapakse havia optado por acabar definitivamente com os Tigres do Tâmil no campo de batalha.
