A líder de oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi, irá enfrentar julgamento por violar as regras de sua prisão domiciliar depois que um norte-americano entrou em sua casa na semana passada. Ela foi levada a uma prisão em Rangoon, nesta quinta-feira, para ouvir as acusações.
O norte-americano, identificado como John William Yeattaw, conseguiu cruzar um lago a nado para chegar à casa de Suu Kyi. Segundo informações, ele teria passado dois dias dentro da casa antes de nadar de volta, quando foi preso.
Aung San Suu Kyi vem sendo perseguida pela junta militar desde 1990,
quando seu partido pró-democracia venceu as eleições.
Surpresa
A ação de Yeattaw surpreendeu muita gente, já que a casa de Aung San Suu Kyi e seus arredores são fortemente vigiados pela polícia estatal. A correspondente da Radio Nederland, Minka Nijhuis, reporta que há rumores de que a polícia na verdade permitiu que ele entrasse na casa:
"Todos os tipos de teorias de conspiração estão circulando em Mianmar. É possível que Yeattaw tenha conseguido entrar na casa sem ser percebido, mas mesmo assim, esta ‘visita' foi bastante conveniente para a junta militar que governa o país. Eles podem tê-lo visto cruzando o lago, mas deixaram que chegasse até a casa para poder acusá-la de convidar pessoas. Sob as leis draconianas da junta, isto pode lhe render cinco anos de prisão", diz Minka Nijhuis.
Aung San Suu Kyi passou muitos anos em prisão domiciliar desde que seu partido pró-democracia venceu as eleições em 1990. A junta militar nunca deixou que seu partido tomasse o poder. Deste então, ela se tornou um símbolo do protesto não-violento contra a ditadura, tendo vencido o Prêmio Nobel da Paz e o apoio de muitos artistas famosos. Bono, da banda irlandesa U2, dedicou a música ‘Walk on' a ela.
Silêncio
Apesar do apoio internacional, Aung San Suu Kyi foi obrigada a permanecer em prisão domiciliar quase constante durante os últimos 19 anos. Sua atual sentença deveria terminar no dia 27 de maio, por isso acredita-se que a prisão nesta quinta-feira foi a forma encontrada pela junta de Mianmar para silenciá-la novamente.
É o que diz o jornalista de Mianmar, radicado na Tailândia, Kyaw Zwa Moe: "Ela está detida há 15 anos e, de acordo com a lei, agora tem que ser libertada. Mas ela tem sido um incômodo para os generais e uma ameaça às eleições gerais de 2010. É por isso que eles a mantêm detida. Se ela for libertada, poderá voltar ao ativismo político."
A saúde de Aung San Suu Kyi se deteriorou durante seu período de isolamento. Na semana passada, ela perdeu o acesso à ajuda médica depois que seu médico também foi preso. Ela está sofrendo de desidratação e pressão baixa e seus amigos estão preocupados com sua saúde.
Abertura?
Esta última ação do governo de Mianmar acabou com as esperanças de que o regime estivesse começando a oferecer alguma abertura - esperança que surgiu após o ciclone do ano passado, quando foi permitida a entrada de ajuda externa no país.
"Organizações humanitárias vinham dizendo isso, mas de acordo com a população e ONGs locais, não há no país nenhum tipo de abertura", afirma Kyaw Zwa Moe.
