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Talibã ameaça artistas

Suzanna Koster - de Peshawar

12-05-2009

A atriz paquistanesa Noor Jahan recebe, há mais de um ano, cartas ameaçadoras do Talibã. Se não deixar de cantar e atuar, será assassinada.

"Todas as vezes que ando na rua tenho medo de que seja meu último dia. Por isso, uso uma burca, na esperança que ninguém me reconheça", conta Jahan em seu estúdio, na cidade de Peshawar, com ar de tristeza.


 A atriz Noor Jahan tem medo de andar na rua
  com o rosto descoberto.
  Foto: Suzanna Koster

Em sua música ‘Esconderijo', Jahan canta sua busca por segurança:

Procuro um esconderijo
Perdi meu destino
e não sei para onde ir
Não sei como posso ficar tão sozinha
Vivo uma vida cheia de lágrimas
Todos os meus sonhos morreram
Quero um esconderijo/ quero um esconderijo
O mundo dos meus sonhos
Se perdeu

Sequestro
Artistas no nordeste do Paquistão estão sendo cada vez mais ameaçados. Noor Jahan diz que conhece pelo menos trinta colegas que pararam de atuar, cantar e dançar. Um deles é o comediante Alamzeb Mujahid. Extremistas o sequestraram há cerca de dois meses e o mantiveram em cativeiro por uma semana. Quando ele prometeu que deixaria sua vida de artista, deixaram que ele partisse. Em uma entrevista coletiva à imprensa, ele declarou que deixava de atuar porque estava se filiando ao grupo religioso conservador Tablighi.

Influência
O Talibã, ultimamente, vinha se fortalecendo regionalmente no Paquistão. Há alguns anos, eles tinham apenas influência em áreas tribais na fronteira com o Afeganistão, mas agora também são temidos pelos moradores das cidades. E não sem motivos.

Na região turística de Swat, onde o Talibã há algum tempo domina, as mulheres já não são bem-vindas nas ruas, juízes e advogados tiveram que partir e escolas para meninas foram demolidas.

As forças armadas do Paquistão agora estão em meio a uma ofensiva aérea e por terra contra os militantes radicais islâmicos no vale em torno de Swat. De 12 a 15 mil tropas foram mobilizadas para combater os rebeldes do Talibã, que queriam expandir sua influência de Swat para as províncias de Buner e Lower Dir.

No mês passado, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, assinou uma lei que impõe a sharia* no vale de Swat. A ação, fortemente criticada pela comunidade internacional, pretendia assegurar um cessar-fogo do Talibã, mas isso não aconteceu.

Corrupção
O Talibã teve inicialmente apoio de uma parte da população no vale de Swat. Eles pareciam ser uma alternativa para o governo, frequentemente corrupto e ineficiente. Em uma pesquisa da organização Transparency International, 94% dos entrevistados alegaram ter tido experiência de corrupção, especialmente com a justiça.

Mas para os artistas, o Talibã sempre representou uma ameaça. Em Swat, uma dançarina foi assassinada alguns meses atrás. Muitos artistas fugiram. E Peshawar também já não é um local seguro. Os artistas que ainda moram nestas regiões vivem com medo. A maioria deixou seu trabalho. Um ou outro continua - em segredo - a fazer música, poesia ou outras formas de arte. A atriz Noor Jahan quer se mudar: "A situação não está boa aqui, por isso quero ir embora. Quando estiver novamente seguro, eu volto, pois esta é e continua sendo a minha casa."


* Sharia é o código legal do Islamismo, e abrange todas as esferas da vida da comunidade muçulmana. Desde aspectos religiosos e políticos até o mais corriqueiro dos atos, como a alimentação, qualquer atividade é regulada pelas normas contidas na sharia.

Tradução e adaptação: Mariângela Guimarães

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