Não se deve jogar fora aparelhos e coisas quebradas, mas sim consertá-los. Esta é a mensagem do Reparatiemanifest (Manifesto da Reparação), lançado pelo grupo holandês Platform 21, e debatido na famosa feira de design de Milão, que acaba de acontecer.
O Platform 21 reúne designers e consumidores que estão, juntos, tentando dar uma segunda vida a objetos estragados.
No Salão do Móvel de Milão são apontadas, todos os anos, as principais tendências internacionais do design. O instituto holandês de design Premsela organizou este ano na feira um debate sobre o conserto de objetos. Cada vez mais designers estão levando em conta a possibilidade de reparar objetos estragados.
Solução fácil
Nem sempre é preciso jogar as coisas fora. Isso pode ser percebido imediatamente por quem entra no prédio do Platform 21 em Amsterdã. O ucraniano Konstantin Leonenko está ocupado com um conserto. "Aqui na Holanda as pessoas jogam logo uma coisa fora quando estraga. Na Ucrânia muitas vezes somos obrigados a reutilizar as coisas. Às vezes demora pra descobrir o que está quebrado, mas em 99% dos casos o problema pode ser facilmente solucionado. As pessoas têm que compreender isso", diz Leonenko.
Mais adiante, a holandesa Heleen Klopper está trabalhando com uma máquina de costura. Em sua mesa de trabalho estão enormes sacos de papel, cheios de lãs coloridas desfiadas. "Este é um método novo para remendar buracos em tecido. Com cinco agulhas vou pegando a lã desfiada, que vira um tipo de feltro e se fixa ao tecido. Assim é possível, por exemplo, dar vida nova a um antigo blusão ou tapete. Isto também é design. Você tem que pensar como vai fazer e eu desenvolvi uma nova maneira", explica Heleen.
Experimento
Vários outros designers participam do projeto do Platform 21, que é um local onde artistas, cientistas, designers e público podem experimentar juntos. Entrando na exposição no espaço anexo ao ateliê, vê-se um grande quadro com o texto do Manifesto da Reparação.
O primeiro item diz: "Faça seus produtos durarem mais". E nos próximos dez itens eles explicam porque não se deve jogar as coisas fora, mas repará-las. O último item diz: "Você pode consertar qualquer coisa, até mesmo um saco plástico".
Reutilização
O manifesto do Platform 21 é direcionado a designers, seus empregadores e consumidores. "Na indústria do desenho industrial há muitas pessoas trabalhando com reciclagem, mas o lixo não é bom para o mundo. Nós não somos contra a reciclagem, mas antes de jogar alguma coisa fora, pode-se consertá-la", diz Dewi Pinatih, também integrante do Platform 21.
"Na Índia e em outros países asiáticos, por exemplo, é muito mais normal consertar as coisas. Mas aqui na Holanda muita gente não sabe como fazer. Toma tempo e elas não têm as ferramentas necessárias. Nós queremos mostrar como é legal consertar as coisas. O objeto ganha mais valor porque você coloca algo de si mesmo nele. E aí não quer mais jogar fora."
Nova postura
No website do Platform 21 pode-se encontrar dicas sobre como fazer consertos, mas também mostrar como elas mesmas consertaram alguma coisa. O movimento está recebendo reações entusiasmadas de todo o mundo. "O manifesto toca muita gente. Alguns acrescentam suas próprias ideias", conta Pinatih. "Também há designers que escrevem contando que os próprios fabricantes querem que o produto dure pouco e seja jogado fora em cinco ou dez anos. Se uma televisão durasse trinta anos as fábricas não venderiam novas TVs. É intenção deles que as coisas quebrem e estraguem."
E é justamente esta postura que o manifesto quer modificar. O Platform 21 escolheu lançá-lo no Salão do Móvel de Milão para atingir o máximo de pessoas dos mais diversos países. "Pessoas do mundo inteiro passam por lá. Aqui em Amsterdã estamos atingindo um público pequeno, mas em Milão atingimos um público muito maior."
